Análise de filme:

Esse filme demonstra o que uma mãe abusiva pode provocar na estrutura psíquica e na vida de um filho que cresceu em relação simbiótica com ela.

Numa trama angustiante, o roteirista costura alucinações e memórias do personagem corroborando com a observação psicanalítica sobre o significado do surto psicótico.

Sua mãe com traços perversos, sedutora, intensamente controladora, manipuladora e acusadora não media esforços na exigência de amor ao filho. Ao mesmo tempo, essa mulher fálica diminuía a potência sexual masculina (e de Beau) com um discurso torturante (enquanto ele ainda era criança) sobre pessoas de sua família terem morrido durante a primeira relação sexual, exceto ela. Discurso tão “bem” colocado que, durante um episódio de surto, Beau enxergou o seu pai sendo um mini e ameaçador órgão sexual masculino.

O que restava a Beau era a busca desesperadora por limpar a sua imagem. Pois ao seu menor sinal de autonomia, surgia a ameaça de perda de amor materno (ora ela o ignorava, ora ela o tratava mal).

-> Lembrou-me da dinâmica relacional da série Bates Motel. Embora Norman Bates esteja mais claramente na categoria sintomática dos “crimes de gozo” (para explicação a respeito dessa categoria, vide meu instagram: @psicoterapia.tgm).

E, aí, já assistiram?
O que acharam?

*Fonte da imagem: otageek

Relações abusivas impedem a expressão da sua vontade

Ao mesmo tempo, a vítima passa a repetir um padrão de escolha por esse tipo de relação. Irrompe uma repetição inconsciente.

É muito comum que esse padrão ocorra com pacientes que já sofreram abuso sexual.

       Há a dificuldade de dizer não, de se posicionar, de sustentar uma escolha perante o outro. O que ocorre é a repetição de um padrão de abuso (a violação da sua vontade) em diversos tipos de relação (parental, profissional, de amizade etc). O sujeito se torna aquela pessoa que aceita tudo, com submissão, para não desagradar os outros.

Em alguns casos, esse padrão gera raiva e essa submissão encobre pensamentos agressivos. Ainda assim, seus comportamentos e pensamentos são sentidos com muito sofrimento.

          Num primeiro momento, eu o acolho e o ajudo a constatar qual a sua dinâmica relacional. Caso ocorra a supracitada, buscamos, juntos, tratar a causa desse sintoma. Em cada sujeito haverá uma particularidade a ser tratada.

Tripartição da sexualidade feminina

Ouço mulheres que se queixam sobre a dificuldade de encontrar um parceiro para relacionamento sério atualmente.

A angústia aumenta quando as mensagens enviadas não são respondidas, ou são respondidas com dias de atraso. Algumas se queixam sobre os homens só quererem uma noite e sumirem, ou agirem com frieza após a primeira noite.

Ao mesmo tempo, observo que há a entrega sexual repetidamente apressada dessa mulher. Algo que gera um conflito entre o que parece querer e o que ela quer.

Muitas vezes, o que parece é uma vontade temporária e os sentimentos são confusos, contraditórios e dúbios. O “sentimento” do corpo quer X, o “sentimento” da mente quer Y.

Algumas demonstram sentir vontade física, mas não estarem preparadas psiquicamente (mentalmente, emocionalmente) para essa entrega com aquele tal cara, naquele tal dia.

Percebo, comumente, que há uma ferida no feminino. A identidade de mulher está enviesada por ter sido maltratada psicologicamente. Somado a isso, o discurso vigente sobre empoderamento feminino pode ser confundido com relações efêmeras.

Você teve uma mãe feminina ou masculina? Como o feminino lhe foi apresentado? O que você ouviu e percebeu sobre o masculino? Qual referencial masculino te ofereceram?

Obs.: Se a sua entrega tem sido plena, esse post não é para você.

*Fonte da imagem: Rceliamendonca

A relação abusiva independe de gênero

Durante o meu trabalho clinico, observei que o relacionamento abusivo independe de gênero (embora encontre amparo na vulnerabilidade social da mulher) e que pode ocorrer também em relações parentais (mães e filhas, pais e filhos) e em relações de amizade. A busca por reconhecimento e por oferecer repostas acertadas (a fim de evitar, por exemplo, ser desqualificado) torna-se um padrão autônomo e a pessoa o repete em novas relações.

          No atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica, ouço algumas justificativas que as fazem “se separar e reatar” o relacionamento. Você já sentiu, em alguma relação, que era amada e odiada? Ou que amava e odiava? Na Psicologia, chamamos de ambivalência afetiva quando o indivíduo sente duas emoções ou sentimentos opostos ao mesmo tempo. Em Psicanalise, essa contradição e dualidade de afetos é comum de se ouvir.

          Percebo, comumente, ambivalência afetiva e confusão sobre o que é amor em mulheres que sofrem violência doméstica, em casos de pacientes com transtorno Borderline e em casos de pacientes com familiares “narcisistas”. Isso traz dificuldade de dar um basta na relação. Desse modo, se mantêm no relacionamento abusivo.

          Por parte da pessoa agressora, são enviadas mensagens paradoxais que causam confusão mental. Suas palavras são de amor, mas seus atos são de ódio, desqualificação, falta de empatia.

          Esse tipo de mensagem passa duas informações que se excluem. Somando essa mensagem confusa com a dependência emocional, a agredida buscara o reconhecimento do parceiro por vias diversas. Ela se pergunta: “o que devo fazer para, numa próxima, acertar?”

 Ao mesmo tempo, fica impedida de refletir sobre a relação, já que está presa na busca por essa resposta e na busca por se proteger da violência.


*Fonte da imagem: FreePik

Quem sou eu

Olá, eu sou Thamara, psicóloga clínica. Trabalho com saúde mental em geral, além de tratar traumas, vítimas de violência e de crimes desde 2017.

Sou mestranda em Psicologia Clinica y de la Salud pela Universidad Europea del Atlantico (Espanha), estudante de Medicina pela Universidad de Buenos Aires e especialista em Criminologia.

Aqui, objetivo ajudá-lo a dar um primeiro passo terapêutico: a constatação. Para isso, agrego saberes a fundamentos psicológicos e busco transmitir conhecimento de maneira ampla.

-> Realizo atendimentos on-line para o Brasil e para fora do país.

Outros contatos:
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thamaragmeireles@gmail.com